A Teia de Aranha do Paraíso
"Em uma bela manhã, Buda passeava no Paraíso junto á margem do Lago dos Lótus. Por baixo deste, e das suas águas cristalinas, ficavam o Rio das Três Correntes e a Montanha das Agulhas, ambos sítios pouco aprazíveis das profundezas do Inferno. Espreitando, Buda entreviu, entre muitos rostos, um homem chamado Kandata, que tinha sido ladrão e assassino, mas uma única vez, tinha sido capaz, como Buda recordou na altura, dum ato louvável: poupar a vida a uma minúscula aranha.
Buda, decidiu então, dar-lhe uma oportunidade para que pudesse escapar ao Inferno. Pegando delicadamente na teia prateada duma aranha do Paraíso, encaminhou-a para as profundezas do lago, em direção a Kandata. Este não perdeu tempo em agarrá-la e trepar com quanta força tinha, tentando livrar-se das torturas e das trevas. Mas a subida, não se previa tarefa fácil, nem para um ladrão ágil como Kandata, pois uma considerável distância separa o Inferno do Paraíso.
Assim, mesmo não querendo, Kandata viu-se forçado a parar para recuperar forças, e foi então, que olhando para baixo para se certificar que já estava bem longe, viu horrorizado que eram muitos os condenados que o seguiam. "Isso é que não!" - pensou Kandata. A teia era demasiado fina para suportar apenas o seu próprio peso, quanto mais o daquela coluna de formigas. Ia com certeza partir-se e o seu imenso esforço seria em vão. E Kandata pôs-se a gritar:
- "Ouçam lá seus pecadores! Esta teia de aranha é só minha. Quem é que vos disse que podiam subir? Saiam já!! Já!"
No mesmo instante, a teia de aranha, até aí aguentando-se perfeitamente, partiu com um ruído brusco, mesmo onde Kandata a segurava. Antes que pudesse gritar, Kandata já havia sido lançado no vazio, mergulhava de cabeça nas mais escuras trevas.
Na margem do Lago dos Lótus, Buda observava o sucedido com o rosto ensombrecido de pena. Kandata tinha pensado apenas em salvar a si próprio e sua falta de compaixão havia sido punida. Nem sempre as histórias terminam bem, mesmo quando as teias são de aranhas do Paraíso."
Fonte: Rashomon and Seventeen Other Stories
Buda, decidiu então, dar-lhe uma oportunidade para que pudesse escapar ao Inferno. Pegando delicadamente na teia prateada duma aranha do Paraíso, encaminhou-a para as profundezas do lago, em direção a Kandata. Este não perdeu tempo em agarrá-la e trepar com quanta força tinha, tentando livrar-se das torturas e das trevas. Mas a subida, não se previa tarefa fácil, nem para um ladrão ágil como Kandata, pois uma considerável distância separa o Inferno do Paraíso.
Assim, mesmo não querendo, Kandata viu-se forçado a parar para recuperar forças, e foi então, que olhando para baixo para se certificar que já estava bem longe, viu horrorizado que eram muitos os condenados que o seguiam. "Isso é que não!" - pensou Kandata. A teia era demasiado fina para suportar apenas o seu próprio peso, quanto mais o daquela coluna de formigas. Ia com certeza partir-se e o seu imenso esforço seria em vão. E Kandata pôs-se a gritar:
- "Ouçam lá seus pecadores! Esta teia de aranha é só minha. Quem é que vos disse que podiam subir? Saiam já!! Já!"
No mesmo instante, a teia de aranha, até aí aguentando-se perfeitamente, partiu com um ruído brusco, mesmo onde Kandata a segurava. Antes que pudesse gritar, Kandata já havia sido lançado no vazio, mergulhava de cabeça nas mais escuras trevas.
Na margem do Lago dos Lótus, Buda observava o sucedido com o rosto ensombrecido de pena. Kandata tinha pensado apenas em salvar a si próprio e sua falta de compaixão havia sido punida. Nem sempre as histórias terminam bem, mesmo quando as teias são de aranhas do Paraíso."
Fonte: Rashomon and Seventeen Other Stories
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